Perguntas e Respostas

Reunião Mediúnica

Perguntas elaboradas pelos participantes do grupo Telegram @febtv_mediuns, referente à série apresentada por Jacobson Sant’ana Trovão “Estudando O Livro dos Médiuns”, canal da FEBtv no YouTube, e respondidas por uma equipe de estudiosos do tema.

Vedada a reprodução, finalidade meramente de estudo da mediunidade à luz do espiritismo.

O objetivo do atendimento ao desencarnado pelo transe é mediúnico, visa, dentre outros, o despertamento do desencarnado na vida espiritual. A sua pergunta e a resposta consta do livro “Missionários da Luz”, capítulo 17, com uma observação, à época André Luiz usava o termo “doutrinador”, mais tarde ele substituiu para “médium esclarecedor”:

“– Porque a doutrinação em ambiente dos encarnados? – indaguei. – Semelhante medida é uma imposição no trabalho desse teor?

– Não – explicou o instrutor –, não é um recurso imprescindível. Temos variados agrupamentos de servidores do nosso plano, dedicados exclusivamente a esse gênero de auxílio. As atividades de regeneração em nossa colônia estão repletas de institutos consagrados à caridade fraternal, no setor de iluminação dos transviados. Os postos de socorro e as organizações de emergência, nos diversos departamentos de nossas esferas de ação, contam com avançados núcleos de serviço da mesma ordem. Em determinados casos, porém, a cooperação do magnetismo humano pode influir mais intensamente, em benefício dos necessitados que se encontrem cativos das zonas de sensação, na crosta do Mundo. Mesmo aí, contudo, a colaboração dos amigos terrenos, embora seja apreciável, não constitui fator absoluto e imprescindível; mas, quando é possível e útil, valemo-nos do concurso de médiuns e doutrinadores humanos, não só para facilitar a solução desejada, senão também para proporcionar ensinamentos vivos aos companheiros envolvidos na carne, despertando-lhes o coração para a espiritualidade.”

Sendo o médium estudioso, disciplinado e comprometido com a tarefa na mediunidade deve evitar participar de mais de uma reunião mediúnica na semana, conforme nos orienta André Luiz, no livro Desobsessão, capítulo 25. Pois, segundo esse elevado Mentor surgem inconvenientes e mesmo sobrecarga à faculdade que pode se esgotar, como qualquer outra faculdade orgânica da qual se exige um esforço além da capacidade.

Sobre o número de passividades, o mesmo autor, no capítulo 40, aconselha ao psicofônico duas passividades por reunião.

É muito comum o medo de Espíritos por parte dos que não conhecem o Espiritismo. O medo, assim, decorre do desconhecimento, da cultura popular, a formação religiosa da pessoa, dentre outros. Um Espírito não toma de assalto uma pessoa. Em todos os casos, deve-se tranquilizar a pessoa, e se ela desejar, convida-la a ouvir as palestras no Centro Espírita, e em sendo indicado o passe, e ao se mostrar com tranquilidade emocional começar a estudar o Espiritismo. Faça isso sem imposição e sem promessa de resolver o problema, pois não se sabe o que tem levado a pessoa ao medo e a tais visões. Considere também a possibilidade de um transtorno mental. Existem enfermidades psíquicas ou físicas que levam a “visões”, que são ilusões ou alucinações e ao medo. Então, apenas com o relato de “visão de Espíritos” e de medo não se pode dizer que é um fenômeno mediúnico, podendo ser uma enfermidade. Considere com a pessoa de forma fraternal a possibilidade de uma pesquisa médica (psiquiátrica) ou psicológica. Devemos ter cuidado ao dar uma opinião definitiva para o caso, pois existem muitas vertentes ou hipóteses possíveis. Se a pessoa buscou a Casa Espírita ela deve ser acolhida com amor e receber toda ajuda do grupo mediúnico e do grupo de irradiações, que podem orar em benefício da pessoa e da família, pois tais medidas são sempre benéficas.

O objetivo da FEB é divulgar o Espiritismo. Como instituição não interfere em qualquer atividade do Centro Espírita. As Casas Espíritas são autônomas, e realizam suas atividades como lhes convém. No entanto, a FEB estimula a unificação dos espíritas em torno dos ensinos de Allan Kardec e de Jesus-Cristo. A prática mediúnica orientada por Allan Kardec está anotada em O livro dos médiuns. O que conflita com as orientações do Codificador não é prática espírita. Não estamos aqui emitindo juízo de valor, mas nos referindo à fidelidade ao pensamento de um autor, no caso Allan Kardec. Um dos grandes equívocos que se comete na prática mediúnica é ver a reunião mediúnica como local que visa tão somente o afastamento de obsessores, partindo do pressuposto que o Espírito é o causador dos problemas do encarnado. Em muitos casos o obsessor é a vítima. Na reunião mediúnica espírita tem-se a oportunidade de esclarecimento do desencarnado, não apenas de obsessores, mas também de Espíritos que não sabem que desencarnaram, suicidas desencarnados em sofrimento, Espíritos vítimas de perseguição no plano espiritual, caso dos que sofrem a hipnose que leva à licantropia, Espíritos enfermos que precisam entender a nova situação, consolar Espíritos que sofrem pela separação dos familiares que ama, dentre outros. Assim, a reunião mediúnica não é apenas para desobsessão. Veja que o livro O céu e o inferno está repleto de exemplos quais os que mencionamos. A chamada “corrente magnética” diverge desse foco, ao prestigiar o afastamento de influências em detrimento do atendimento ao desencarnado pela conversa esclarecedora, pela oração de reconforto, pelo carinho e respeito com aquele que deixou o corpo físico. Dessa forma, não pode ser considerada prática mediúnica espírita. Estude com cuidado e atenção o livro Nos domínios da mediunidade e o livro Libertação ambos de André Luiz e verá vários exemplos de atendimentos a desencarnados que são bem diversos do método pretendido pela técnica de passar, ou mesmo aproximar, o desencarnado pela “corrente”. Consulte também o livro Desobsessão do mesmo autor espiritual. As orientações mencionadas são dos Espíritos Superiores que a FEB segue e estimula que toda Casa Espírita siga.

Considerando suas colocações, sobretudo quando diz que já concluíram não serem autênticas as mensagens e que a médium envolvida melindrou-se é sinal evidente de que o grupo foi assediado por espíritos mistificadores, com a finalidade de desagregar a equipe. É momento de vigilância e de oração. Busque manter a unidade do grupo com estudo reflexivo, mostrando a seriedade da tarefa. Antes de retomar as atividades de intercâmbio mediúnico converse novamente com a médium referida, busque auxiliá-la a perceber os riscos que corre seguindo pelo caminho que vai. A fascinação é o pior tipo de obsessão, segundo Allan Kardec. Em casa não é local de atividade mediúnica. Converse também com o grupo, alertando que o assédio espiritual negativo visa desequilibrar a todos, mas que não se deve temer pois o embuste foi visto a tempo. Para harmonizar o grupo que ficou sem atividade faça algumas reuniões somente de estudo, com temas relevantes. Se a equipe se sentir segura retome as atividades práticas, se não, mantenha o estudo até que o grupo tenha a maturidade para o trabalho. Quanto a médium, orem por ela, orientem-na a manter suspensas as atividades mediúnicas até superar essa fase, oferecendo ajuda, com passes e vibrações para ela e familiares. Esperemos que ela aceite. Caso não concorde, o afastamento pode ser uma opção.

Allan Kardec no tem 341 de O livro dos médiuns falando sobre a influência do meio, ou seja das pessoas presentes na reunião mediúnica, que muito interfere na qualidade da comunicação mediúnica diz que devemos manter recolhimento e silêncio respeitoso durante a reunião mediúnica e o Espírito André Luiz, no livro Desobsessão, capítulo 11, afirma:

“Os benfeitores espirituais de plantão, na obra assistencial aos irmãos desencarnados
sofredores, esperam sempre que os integrantes da equipe alcancem o recinto de serviço em posição respeitosa.

Nada de vozerio, tumulto, gritos, gargalhadas.

Lembrem-se os companheiros encarnados de que se aproximam de enfermos reunidos, como num hospital, credores de atenção e carinho.

A obra de socorro está prestes a começar.

Necessário inclinar o sentimento ao silêncio e à compaixão, à bondade e à elevação de vistas, a fim de que o conjunto possa funcionar em harmonia na construção do bem.”

Pensamos que a leitura desse capítulo e a meditação sobre o assunto não deve melindrar ninguém, pois não se estará criticando o comportamento de nenhum participante da reunião mediúnica, mas esclarecendo. Se alguém se melindrar é falta de preparo para a tarefa, assim como consideraríamos despreparados médicos e enfermeiros que antes de atenderem um doente numa sessão de emergência, se colocassem a longos cumprimentos, risos, vozerios antes de prestarem o socorro devido. Esclareça com carinho e lógica, cremos que não se ofenderão.

O roteiro da reunião mediúnica espírita é um método e não um ritual. Allan Kardec descreve as etapas da reunião mediúnica espírita no final de O Livro dos Médiuns. Inicia-se com um prece, buscando a sintonia e o amparo dos protetores do grupo. Após, podem ocorrer ou não as manifestações mediúnicas, finalmente a prece de encerramento, com alguns comentários, se for necessário, e nada mais. O que passa disso pode sim ser ritual, mas por conta da equipe que não se preparou adequadamente para a tarefa, criando um sistema próprio. Muita vez tais sistemas de reunião mediúnica não podem ser consideradas espíritas. Como auxílio temos o livro Desobsessão de André Luiz que desdobra passo a passo a reunião nos moldes de Allan Kardec.

Melindre é uma manifestação de orgulho. Não se preocupe com o ego dos outros. O médium deve manter o equilíbrio e a perseverança no trabalho. Não se envaidecer com o elogio que possa receber nem se deprimir com as críticas que lhe dirijam. Ao médium cumpre aprimorar-se dia a dia, com estudo e trabalho. Não se preocupe com a inveja, de sua parte saiba que há muito a ser feito na busca da própria elevação pessoal. Mediunidade ostensiva não é motivo de distinção, ao contrário, revela o quanto devemos trabalhar para resgatar dívidas do passado. Se há inveja e melindre no grupo é necessário mais estudo e mais reflexão evangélica na equipe.

O médium ostensivo estará sempre rodeado por fenômenos espontâneos, seja no Centro Espírita, na reunião mediúnica ou fora dela. No entanto deve se acostumar com as ocorrências, dando atenção ou não conforme a utilidade. Se um benfeitor espiritual se revela diante do médium, receberá as intuições sem alarde. Se for algo negativo, deve desviar o pensamento não se sintonizado. Sentirá um grande bem estar durante uma prece, ou poderá sentir-se angustiado num ambiente público. Esse é o aprendizado que o médium obterá, aprender a sintonizar e a dessintonizar. Mas, consideramos importante que o médium permaneça sereno ante o benfeitor espiritual ou diante de uma entidade em desequilíbrio. Em todo caso deve permanecer no controle de si, sem de deixar levar pelas impressões captadas psiquicamente. Se o médium se integrar num grupo de estudos e posteriormente numa reunião mediúnica as percepções fora do Centro Espírita diminuirão, podendo inclusive cessar, pois o médium se disciplinará psicologicamente a somente sintonizar com a dimensão espiritual nos momentos devidos e no local apropriado. É de todo inconveniente o médium ficar descrevendo suas percepções mediúnicas a qualquer tempo e em qualquer lugar. Se o médium for prestar um auxílio, não há necessidade de ele descrever o que viu ou sentiu. Esse comportamento gera enlevo nas pessoas ou descrédito do médium. Exercício direto da mediunidade é na reunião mediúnica no Centro Espírita, fora disso poderá se desequilibrar perdendo energia mental e o bom senso. Para o médium a disciplina será sempre: estudar, controlar impulsos, orar, meditar e servir ao próximo, sem alarde ou sensacionalismos.