Perguntas e Respostas

Reunião Mediúnica

Perguntas elaboradas pelos participantes do grupo Telegram @febtv_mediuns, referente à série apresentada por Jacobson Sant’ana Trovão “Estudando O Livro dos Médiuns”, canal da FEBtv no YouTube, e respondidas por uma equipe de estudiosos do tema.

Vedada a reprodução, finalidade meramente de estudo da mediunidade à luz do espiritismo.

Não há um tempo específico, é aquele que o grupo achar conveniente. O entanto, tal avaliação deve ser breve, apenas se atendo às impressões dos participantes sobre o curso da reunião. O ideal e que avaliações mais longas sejam feitas à parte, se possível. É natural que os médium iniciantes tenham mais dúvidas que os veteranos, necessitando de mais tempo para retirarem suas dúvidas. Uma reunião mediúnica deve durar de 1h30 a 2h, incluindo a leitura preparatória, a prece inicial e a avaliação.

Essa falta de percepção da integralidade do transe mediúnico é perfeitamente normal, pois nem sempre o cérebro espiritual repassa ao cérebro físico todas as informações captadas. Realmente, é uma peculiaridade de sua faculdade mediúnica. Nem todos os médiuns são assim. O que não quer dizer ser melhor ou pior. Lembremos que no transe existem dois cérebros em comunhão. As ideias fluem nas duas mentes. Após o transe permanecem apenas as ideias próprias do médium, as do comunicante tendem a desaparecer ou ficar no subconsciente do médium. Isso varia de comunicação a comunicação, daí você mencionar que nas primeiras está mais consciente do que nas demais. Assim, ocorrem amnésias parciais ou totais. Embora isso, o médium sempre está no controle do que o comunicante faz ou diz, pois a mensagem passa pelo perispírito do médium. Quanto a uma comunicação após outra você pode e deve controlar, para dar oportunidade dos demais médium também colaborarem na reunião. Com esforço se consegue evitar o transe até que o médium seguinte conclua o transe.

Os Espíritos dirigentes da reunião mediúnica criam as barreiras protetoras para a realização das atividades de intercâmbio, mas ante o médium indisciplinado, que persiste nas sintonias inferiores, poderá de quando em vez sofrer as mistificações, como forma de aprendizado e de exercício de humildade para o médium e ao grupo, até que ele e a equipe se ajustem à tarefa. São licenças permitidas pelos dirigentes espirituais em beneficio do grupo desatento às suas sagradas obrigações.

Para um resposta mais segura seria necessário acompanhar suas atividades mediúnicas. Mas, o semblante do médium no momento do transe pode espelhar as sensações do comunicante. Não vemos isso como algo prejudicial, mas se tais modificações têm causado preocupação justa na equipe, durante o transe relaxe os músculos do rosto, fale com naturalidade e seu semblante poderá ficar mais natural. Com o tempo você consegue esse controle sem prejudicar a manifestação do desencarnado. Quanto a manifestação de criança em reunião mediúnica espírita, leia o artigo que escrevemos para a revista “Reformador” da FEB, junho de 2020, pois o normal é a criança desencarnada ser assistida no plano espiritual, sem a necessidade do transe.

O Espírito transmite para o cérebro do médium imagens, pensamentos e não palavras. Dessa forma, se há dificuldade em falar, escrever ou descrever o que se passa com a entidade é decorrente do médium e não do comunicante. Se é um Espírito não fala por ter tido um problema vocal na existência última e está fixado nessa condição por desequilibro, ou um que está com deformidades perispirituais como no caso dos licântropos, ele também não conseguirá desenhar. O atendimento nesse caso será por meio das orações. Ademais, se o médium não tem aptidão para desenho não desenhará, e não deve forçar o desenho, pois poderá ocorrer o desvio da finalidade da reunião mediúnica. Não se esclarece espírito em sofrimento por meio de desenhos.

Não existe nenhuma relação entre a comunicação de um suicida e o passado do médium. Não se pode afirmar que o médium foi necessariamente um suicida. Se foi ou não isso não interfere. No livro “Memórias de um suicida” é esclarecido que os médiuns aptos a se sintonizarem com suicidas são aqueles que foram convidados por benfeitores espirituais que socorrem os suicidas no plano espiritual para a tarefa e aceitaram o desafio, muita vez penoso de estarem ligados mentalmente a entidades em estágio de grave sofrimento. O médium nesse caso deve ter vigilância, oração, perseverança, desprendimento e muito amor para acolher tais desencarnados. É uma tarefa meritória.

Quanto a segunda pergunta, existem médium que se especializam em dar passividade a certa categoria de Espíritos. Essa especialização facilita o transe mediúnico. Com cuidadosa observação pode-se perceber que embora se comuniquem por um médium sempre uma mesma categoria de Espíritos cada um demonstra sua individualidade. Nunca um transe é igual ao outro, já que cada Espírito se expressa de forma própria e inconfundível.

Esse é um engano muito comum, pensar que quem entra em transe em uma reunião mediúnica espírita e manifesta um Espírito que se percebe ser de ordem inferior o médium também o é, o no sentido contrário quando se manifesta um Espírito de ordem superior o médium é igualmente elevado. A manifestação de um Espírito se dá em função de afinidade e sintonia. Existem médiuns muito bem preparados moralmente pelos quais se manifestam Espíritos embrutecidos, pois tais médiuns auxiliam no controle das expressões da entidade. Já os Espíritos superiores se manifestam por quaisquer médiuns, pois pela superioridade deles conseguem suplantar quaisquer deficiências que porventura o medianeiro possa apresentar.

Não há uma determinação absoluta no Centro Espírita, como 75% de presença para começar a trabalhar na Casa Espírita, sobretudo na reunião mediúnica. Tal número é aplicável nas escolas tradicionais. No Espiritismo deve ser observado o aproveitamento dos conteúdos. Muita vez o participante tem a frequência, mas ainda não tem maturidade para ser admitido nas sessões mediúnicas. Contudo, se a pessoa não tem uma frequência regular, se não dispõe de comprometimento, se não é perseverante, como admiti-lo em trabalhos de grave responsabilidade? Frequência é um requisito, mas não o único. Condições emocionais, cognitivas, aptidão também devem ser considerados. E concordamos que um médium despreparado coloca-se em risco e pode comprometer a tarefa.

André Luiz no livro “Desobsssão”, cap. 8, coloca a ausência à reunião mediúnica em função de uma epidemia, qual a gripe, como um impedimento natural ao comparecimento à reunião mediúnica. Assim considerado, não há prejuízo o médium quando a ausência é justificável:

“8- IMPEDIMENTO NATURAL
Circunstâncias existem que pesam na balança do trabalho por obstáculos naturais.
Uma viagem inesperada, por exemplo.
Pode acontecer que a obrigação profissional assim o exija.
Noutros casos, a moléstia grave comparece em casa ou na pessoa do próprio cooperador, obstando-lhe o comparecimento à reunião.
Temos ainda a considerar o impedimento por enfermidades epidêmicas, qual a gripe, e, em nossas irmãs, é razoável aceitar como motivos justos de ausência os cuidados decorrentes da gravidez e os embaraços periódicos característicos da organização feminil.
Surgindo o impasse, é importante que o companheiro ou a companheira se comunique, rápido, com os responsáveis pela sessão, atentos a que se deve assegurar a harmonia do esforço de equipe tanto quanto possível.”