Perguntas e Respostas

Reunião Mediúnica

Perguntas elaboradas pelos participantes do grupo Telegram @febtv_mediuns, referente à série apresentada por Jacobson Sant’ana Trovão “Estudando O Livro dos Médiuns”, canal da FEBtv no YouTube, e respondidas por uma equipe de estudiosos do tema.

Vedada a reprodução, finalidade meramente de estudo da mediunidade à luz do espiritismo.

Em uma reunião mediúnica, todos os participantes tem o dever de se preparar convenientemente para oferecer ao plano espiritual o ambiente adequado para o trabalho, que é coordenado e realizado pelos Espíritos Superiores. Portanto, mais importante do que os aparelhos eletrônicos que estejam na sala, é a vibração amorosa e respeitosa da equipe encarnada. Logicamente, hoje, estamos sempre de posse de um celular ou tablet em nossas pastas, e por vezes é impossível deixá-los em casa no dia da reunião mediúnica, então estes devem estar desligados, pois mesmo no silencioso, muitas vezes a vibração é perceptível num ambiente de silêncio e de recolhimento, ocasionando a perda da concentração dos envolvidos. Quanto às radiações eletromagnéticas, a equipe espiritual tem recursos para neutralizá-las, se porventura causarem algum efeito na dimensão espiritual, de maneira que não interfiram na aparelhagem delicada que compõem a sala de atendimento espiritual. Atender ao celular durante um reunião mediúnica é de grande prejuízo para a harmonia. O silêncio físico e mental são essencial para o êxito da tarefa. É comum a intranquilidade mental do participante da sessão mediúnica trazer maior tumulto à dimensão espiritual do que as palavras oralmente expendidas. Se temos pendências urgentes, encarreguemos alguém da solução, para não prejudicarmos a harmonia do momento. Preocupações levadas à sala mediúnica são fatores de desequilíbrio para a atividade a serem realizadas. Cuidemos para que nossa disciplina atinja o uso dos aparelhos de comunicação em local e horários adequados.

Existem médiuns que no início da tarefa mediúnica apresentam dificuldade de expressarem os pensamentos que lhe surgem à mente, com receio do julgamento que os presentes possam fazer de seu desempenho na reunião mediúnica. Sendo esse ou não o que acomete o médium referido, é prudente aguardar o tempo e a espontaneidade do fenômeno. Com maior estudo da faculdade mediúnica pode ser definido com segurança se a atividade a ser por ele desempenhada é de psicofonia ou de apoio/sustentação da reunião. Muitos médiuns videntes podem sentir os que Espírito sente, dada a sintonia estabelecida, mas não estão aptos à psicofonia.

Uma pessoa para se tornar dirigente de uma reunião mediúnica deve estudar bastante, participar de reunião mediúnica séria, pelo tempo que lhe confira experiência e apurar-se moralmente, para ser interprete na forma intuitiva de elevados mentores. A ansiedade em conduzir uma reunião mediúnica sem tais predicativos, pode conduzir a equipe de médiuns a sérias decepções.

Bem lembrada a orientação de 2(duas) manifestações psicofônicas em reunião mediúnica no Centro Espírita. Esta também é uma recomendação do Espírito André Luiz no livro “Desobsessão”, cap. 40 que diz: “Só se devem permitir, a cada médium, duas passividades por reunião, eliminando com isso maiores dispêndios de energia e manifestações sucessivas ou encadeadas, inconvenientes sob vários aspectos.

Em todas as circunstâncias, o médium a serviço da desobsessão não se pode alhear da equipe em que funciona, conservando a convicção de que dentro dela assemelha-se a um órgão no corpo, e que precisa estar no lugar que lhe é próprio para que haja equilíbrio e produção no conjunto.”

Na verdade, Allan Kardec não chegou a detalhar o número de manifestações por médium em uma reunião mediúnica. Quem primeiro tratou do tema foi o elevado Mentor André Luiz, mas que se tornou regra geral, admitida pela lógica e pelo bom senso. Veja que o limite estabelecido é para a psicofonia, por dois fatores: dispêndio de energia do médium e o risco de um só médium centralizar todas as manifestações ou a maioria delas na reunião mediúnica, absorvendo todo o tempo da sessão. Tal atitude impede os demais médiuns de darem passividade, causando distúrbio na programação das manifestações feita pelos Espíritos superiores.

O vício do fumo, segundo nosso entendimento, não deve se constituir num obstáculo ao serviço no bem. Jesus veio para os enfermos. Estamos na Terra para vencer nossas mazelas inferiores. Tirar o necessitado do trabalho é o mesmo que suspender a medicação necessária à recuperação do doente. Mas, cumpre ao fumante o bom senso e esforço no autocontrole do uso do cigarro, buscando gradativamente se libertar do vício. Evitar ou ser comedido em dias de atendimento ao público, buscando não ser inoportuno devido aos odores que são exalados após o uso do cigarro. Quanto a tarefa desobsessiva médiuns psicofônicos, os passistas e os de efeitos físicos devem se esforçar para abandonar o vício.

A seguir algumas comentários esclarecedores de Chico Xavier sobre o hábito do fumo:

ENTREVISTADOR – Você teria alcançado condições de desempenho de seu mandato mediúnico, ao longo de mais de meio século de trabalho incessante, se fosse um dependente de nicotina?

CHICO XAVIER – Creio que não, com referência ao tempo de trabalho, de vez que a ingestão de nicotina agravaria as doenças de que sou portador, mas não quanto a supostas qualidades espirituais para o mandato referido, de vez que considero “ o hábito de cultivar pensamentos infelizes” uma condição pior que o uso ou o abuso da nicotina e, sinceramente, do “hábito de cultivar pensamentos infelizes” ainda não me livrei.
XAVIER, Francisco Cândido. WORM, Fernando. Janela para a vida. São Paulo: Livraria Allan Kardec editora, pág. 50.

ENTREVISTADOR – Que você habitualmente aconselha aos fumantes que, enfraquecidos por derrotas sucessivas, vêm pedir orientação, forças renovadas e motivação para vencer a dependência física e mental criada pela nicotina?

CHICO XAVIER – A prece e o trabalho, em meu entendimento, são sempre os melhores recursos para defendermos contra qualquer desequilíbrio.
XAVIER, Francisco Cândido. WORM, Fernando. Janela para a vida. 3ª ed., São Paulo: Livraria Allan Kardec editora, 1995, pág. 50.

ENTREVISTADOR – Muito candidatos à mediunidade se nos apresentam, confessando, no entanto, sua predileção pelo vício de fumar. Que fazer nestes casos?

CHICO XAVIER – Ponderam os mentores da Vida Maior que o vício da utilização do fumo cotidianamente é considerado dos menores vícios da personalidade humana. Não obstante, qualquer candidato à mediunidade cristã deverá esforçar-se diariamente para superar suas próprias inibições, consciente de que o quadro de serviços redentores a que se candidata exigir-lhe-á renúncias e abnegações incessantes em favor do próximo. Dentro deste particular, os amigos espirituais nos dizem que, principalmente nas tarefas de auxílio desobsessivo e nas tarefas de alívio aos doentes, é totalmente desaconselhável o hábito de fumar. Assim sendo, médiuns psicofônicos, os passistas e os de efeitos físicos fazem muito bem quando abandonam o cigarro.
NETO, Geraldo Lemos. Chico Xavier: mandato de amor. 6ª. ed., Belo Horizonte: União Espírita Mineira, 2010, item Sobre os médiuns, pág. 260.

O Centro Espírita, referindo-se ao seu dirigente e equipe de colaboradores, deve refletir com vagar sobre o início ou o encerramento de reuniões mediúnicas espíritas. O Centro Espírita, como hospital para os aflitos da alma, para os que sofrem ou provocam processos obsessivos, sejam eles encarnados ou desencarnados, na sua feição de escola de aprendizado para médiuns de todas as modalidades, é instituição de grande repercussão na dimensão espiritual pelo benefício que presta à sociedade, e, por isso mesmo, atrai a simpatia ou a antipatia de Espíritos de várias categorias, requisitando proteção diante das investidas das trevas. Por tudo isso, necessita realizar com segurança uma reunião mediúnica com base nas orientações de Allan Kardec e de elevados benfeitores espirituais. A reunião mediúnica espírita é ambiente, portanto, de proteção à Casa Espírita e de todos os trabalhadores, é momento para o médium cumprir com a tarefa que assumiu antes da reencarnação. Dessa forma, é importante a realização da sessão mediúnica sob a ótica espírita. Iniciá-la, porém, requer preparo pelo estudo sistematizado, para não se tornar um local de graves perturbações. Requisita dirigente experiente e médiuns dedicados, conscientes do compromisso que assumem com a Alta Espiritualidade. Mas não temer a tarefa, se estão devidamente preparados, pois o médico e os enfermeiros não podem receitar o doente e a doença. São habilitados para o serviço. Assim, ocorre com o encerramento das atividades mediúnicas no Centro Espírita. Por comparação, seria como cerrar as portas de um valioso hospital em região carente de assistência médica. Se a mediunidade sadia e bem orientada não se realizar na Casa Espírita que detém a liberdade e as informações para a devida manifestação dos Espíritos, onde serão atendidos doentes desencarnados, quando necessitados do contato com a fisiologia orgânica do médium? Cabe ao grupo estudar se inicia ou encerra uma reunião mediúnica, mas convém meditar nas consequências.

A reunião mediúnica espírita séria, caracterizada pelas orientações de Allan Kardec, em especial contidas em “O livro dos médiuns”, cap. 29, preconizam que a manifestação da entidade desencarnada se dê pelo trânse mediúnico, quando os Espíritos, elevados ou não, poderão expressar seus pensamentos, seja pela psicofonia ou pela psicografia, em situação de total controle do evento. Podem também serem identificados pela intuição, pela vidência, pelo desdobramento, enfim por qualquer meio medianímico. O fenômeno descrito na pergunta, no qual um Espírito apenas se aproxime da aura do médium para receber algum benefício, ou o médium se concentrar no obsidiado para ensejar uma recomposição de suas energias, poderia ser contado como um momento de irradiação de fluidos balsâmicos. Urge considerar que o dirigente da reunião mediúnica deve primar pela espontaneidade no trato com o Espíritos, evitando as induções mentais, nem sempre benéficas. Ao conduzir a sessão, concitar todo o grupo às elevações de pensamento, com preces e mentalizações positivas, cuidando para não sobrecarregar um só médium na tarefa que é coletiva.

Um médium sempre pode controlar o número de passividades e o modo de manifestação da entidade comunicante. O controle é pelo pensamento, já que toda ação do Espírito sobre o médium é também pelo pensamento. Mesmo médiuns ditos inconscientes podem estabelecer o autocontrole. Se o médium não aceitar a indução psíquica do comunicante o transe não ocorre. O médium deve se disciplinar, impor sua vontade firme no momento do transe e evitar todo tipo de transtorno durante a reunião mediúnica. Se o médium no dia a dia se mantém vigilante, mantendo sob controle seus pensamentos e suas atitudes, o controle na reunião mediúnica é bem mais fácil.

Na verdade, o que nos informam os Espíritos Superiores, é que o perispírito enfermo do comunicante espiritual se beneficia dos eflúvios saudáveis do perispírito do médium. O Espíritos sofredores relatam grande alívio após o atendimento em reunião mediúnica. E quanto a possibilidade de desencarnação em reunião mediúnica, se ocorrer, será necessário verificar o organismo do médium, possíveis doenças, já que prática mediúnica não gera enfermidade e não causa a desencarnação. Dai a importância do dirigente e dos médiuns estarem sempre atentos à própria saúde física e mental.

Observando o impacto do isolamento social nos médiuns, sobretudo nos ostensivos, quando ficaram impedidos de participarem das reuniões mediúnicas, em sua grande maioria, notamos uma certa frustração. Habituados a semanalmente cederem-se ao transe mediúnico, a ruptura abrupta com o estado de transe causou uma intranquilidade psíquica naqueles pouco afetos ao estudo e mais focados no fenômeno. Adaptados psicofisiologicamente à periodicidade semanal com as sensações típicas do transe mediúnico, a brusca interrupção provocou um sentimento de perda, qual se algo lhes fosse retirado, comprometendo-lhes a harmonia interior. Noutros casos, o relato foi que estariam faltando a um compromisso assumido perante a Alta Espiritualidade, tanto no que se refere aos mentores que ficaram impedidos de trazerem semanalmente suas orientações ao grupo, quanto pela falta de assistência aos desencarnados sofredores. Nem uma coisa nem outra. De nossa parte, e revisitando a literatura espírita, bem como considerando a nossa prática mediúnica que passa dos 40 anos de atividade contínua como psicofônico, não que nossa experiência pessoal seja relevante, mas observando períodos em que médiuns ativos tiveram de interromper suas atividades mediúnicas por um motivo ou outro, sempre justificáveis, concluímos, mesmo que de observação e pelo relato do inúmeros médiuns, que necessitamos intensificar os estudos que orientem o médium a se libertarem de condicionamentos, a exemplo, achar que sua ausência justificável à reunião mediúnica lhe causará prejuízo ao equilíbrio pessoal. Não causa, se ele souber controlar pensamentos e emoções. Se a ausência é necessária, não decorreu de singelos impedimentos pessoais, os benfeitores espirituais não negarão amparo ao médium, sobretudo nos tempos de pandemia, já que a deliberação para a pausa da reunião mediúnica deu-se por determinação de autoridades sanitárias. Essa pausa justificável é prevista pelo Espírito André Luiz em seu livro “Desobsessão”, cap.8. Outro aspecto que observamos decorrer da ausência de sólido conhecimento das ações dos benfeitores espirituais foi o entendimento de que a desobsessão decorre do atendimento do desencarnado necessitado em manifestação na reunião mediúnica. Os benfeitores espirituais têm amplos recursos para despertarem o sofredor no plano espiritual sem a necessidade do transe. Essa imprescindibilidade do médium não corresponde com a realidade. A maior parte dos desencarnados sofredores é socorrida no plano espiritual, não são conduzidos a reuniões mediúnicas. E seria incompreensível que benfeitores espirituais, sabedores da impossibilidade da presença do médium em reunião mediúnica pelo isolamento social, conduzissem obsessores, suicidas, dementados desencarnados aos lares dos médiuns. Seria como se uma equipe socorrista ao invés de conduzir um doente ao hospital o levasse à residência do médico, tal conduta denotaria um contra-senso e imaturidade dos socorristas espirituais. O Centro Espírita é um hospital, mas não é o único diante da sociedade que forma o chamado mundo espiritual, muito superior em recursos que o nosso plano físico. Não estamos com isso desmerecendo a participação do médium ou do Centro Espírita ao necessitado, pois em condições de normalidade social, o Centro Espírita é a grande escola e hospital de nossas almas e dos sofredores do além. Vimos também grupos mediúnicos que em tempos de pandemia estabeleceram que as manifestações mediúnicas seriam apenas dos mentores, de modo a acreditar que somos capazes de controlar os Espíritos, e qual se houvesse uma necessidade imperiosa de novas orientações dos benfeitores espirituais, como se as que já temos não fossem suficientes para nossa caminhada na Terra. Outra evidência foi que ainda grassa por entre diversos agrupamentos mediúnicos espíritas de que desobsessão é afastamento de influências espirituais, e a falta da reunião de desobsessão causa prejuízo à tarefa. Tal equívoco deve ser superado para que entendamos que a desobsessão se faz pela reforma moral de encarnado e do desencarnado e isso não se dá pelo transe mediúnico, mas pelo esforço diário de renovação do indivíduo. Tais ponderações, não exaustivas, deverão compor o quadro de avaliação de cada grupo mediúnico no retorno de suas atividades. Devemos buscar uma prática mediúnica espiritualizante, centrada no estudo sério e na busca da transformação moral do médium. É necessário, ante os novos tempos, que o médium aprenda a ser senhor de si. Aqueles que estão com a reponsabilidade de orientar médiuns, no estudo e na prática, pensamos, devem focar seus estudos e orientações numa permanente ligação com os ensinos de Jesus, para que o médium se liberte de atavismos. Vemos tempos futuros promissores, desde que aprendamos a lição de que mediunidade no Espiritismo será sempre mediunidade sublimada. Cremos que os tempos pós-pandemia ou pelo menos nos novos tempos sem o isolamento social venhamos a aprender a viver como médiuns no dia a dia, equilibrados, estudiosos, com a mente voltada ao bem e ao serviço mediúnico com vistas ao auxílio do próximo e de nós mesmos. Mudar o método de ensino-aprendizagem espírita, aliando saber e fazer. O médium se forma no cotidiano, e precisamos aprender a viver espiritualmente, mesmo encarnados. A lição “o médium no mundo”, se pudermos nos atrever a uma adaptação do título do belo texto anotado por Allan Kardec “O homem no mundo” contido no “Evangelho segundo o Espiritismo” será o grande roteiro para o médium que queira fazer da sua tarefa um apostolado com Jesus.