As informações primordiais sobre o perispírito, órgão sensorial dos Espíritos, são efetivamente de Allan Kardec, conquanto em culturas ancestrais já se intuia a existência de um corpo que sobreviveria à morte. De “O Livro dos Espíritos” à “A Gênese”, passando pela Revista Espírita, vemos um desdobramento do assunto. Kardec sintetiza as diversas análises do perispírito feitas na Revista Espírita em “A Gênese” culminado por dizer que ele está presente desde a fase embrionária do ser reencarnante e que se liga ao corpo físico molécula a molécula dando-lhe vitalidade. O perispírito seria a chave para a compreensão das enfermidades físicas e psicológicas. Kardec não avança muito além, naturalmente por decisão de o Espírito de Verdade que lhe inspirava e fazia chegar-lhe as mãos as mensagens adequadas àquele momento cultural. Diversos pesquisadores encarnados escreveram sobre o tema, contemporâneos ou não do Codificador, alguns em lampejos especulatórios buscaram sintetizar o perispírito como um corpo vaporoso indene a qualquer impureza ou manifestação tipicamente corporal. Uma informação relevante temos por William Crookes, em seu “Fatos Espíritas”, que verifica a pulsação cardíaca do Espírito Katie King materializado, mostrando ao pesquisador que ela tinha um coração que batia em ritmo diferente do da médium. Só tivemos informações mais detalhadas sobre o perispírito pela série de livros de André Luiz e alguns ditados de Emmanuel. A tese dos órgãos perispirituais é do primeiro. “O Perispírito não é um corpo de vaga neblina e sim organização viva a que se amoldam as células materiais”, diz o prefácio de Emmanuel em “Missionários da Luz”. De nossa parte vemos continuamente nas reuniões mediúnicas os Espíritos inferiores reclamando de fome, sede, dores. São reminiscências, mas na dimensão espiritual “reminiscência” é algo vivo, concreto, palpável, segundo eles mesmos, os comunicantes. Na esteira do pensamento de Allan Kardec, André Luiz reafirma que o perispírito se exibe desde a fase embrionária e adita que ele estrutura os órgãos físicos, pois atua no DNA dando-lhes as características biológicas. Ao sair do corpo pela desencarnação, dada a nossa íntima ligação com o corpo físico, manteríamos os mesmo aspectos, até nos libertarmos do limite das formas, caso dos Espíritos evoluídos. Irmão Jacob na obra “Voltei”, psicografado por Chico Xavier, relata passo a passo o processo de desencarnação, e que sentia dois corações batendo.
A despeito de tudo isso, meditando nas informações de Kardec, haveremos de concluir que deve existir um circuito de ligação da mente do Espírito com o cérebro físico, para lhe transmitir os comandos orgânicos tanto os voluntários quanto os involuntários, qual o sistema simpático e parassimpático. Ao nosso ver poderiam ser os neurônios perispirituais em ligação com os neurônios orgânicos que efetuariam as determinações da Alma sobre o corpo. A ideia de um corpo vaporoso sem órgãos fica incompleta. Cremos que as observações que você faz na pergunta se harmonizam com as teses acima expostas. É em síntese apertada o que poderíamos aditar ao que foi dito no programa que tratamos do tema. Para maiores esclarecimentos veja o tema em “Evolução em dois mundos”, de André Luiz.