Perguntas e Respostas

Perispírito

Perguntas elaboradas pelos participantes do grupo Telegram @febtv_mediuns, referente à série apresentada por Jacobson Sant’ana Trovão “Estudando O Livro dos Médiuns”, canal da FEBtv no YouTube, e respondidas por uma equipe de estudiosos do tema.

Vedada a reprodução, finalidade meramente de estudo da mediunidade à luz do espiritismo.

As informações primordiais sobre o perispírito, órgão sensorial dos Espíritos, são efetivamente de Allan Kardec, conquanto em culturas ancestrais já se intuia a existência de um corpo que sobreviveria à morte. De “O Livro dos Espíritos” à “A Gênese”, passando pela Revista Espírita, vemos um desdobramento do assunto. Kardec sintetiza as diversas análises do perispírito feitas na Revista Espírita em “A Gênese” culminado por dizer que ele está presente desde a fase embrionária do ser reencarnante e que se liga ao corpo físico molécula a molécula dando-lhe vitalidade. O perispírito seria a chave para a compreensão das enfermidades físicas e psicológicas. Kardec não avança muito além, naturalmente por decisão de o Espírito de Verdade que lhe inspirava e fazia chegar-lhe as mãos as mensagens adequadas àquele momento cultural. Diversos pesquisadores encarnados escreveram sobre o tema, contemporâneos ou não do Codificador, alguns em lampejos especulatórios buscaram sintetizar o perispírito como um corpo vaporoso indene a qualquer impureza ou manifestação tipicamente corporal. Uma informação relevante temos por William Crookes, em seu “Fatos Espíritas”, que verifica a pulsação cardíaca do Espírito Katie King materializado, mostrando ao pesquisador que ela tinha um coração que batia em ritmo diferente do da médium. Só tivemos informações mais detalhadas sobre o perispírito pela série de livros de André Luiz e alguns ditados de Emmanuel. A tese dos órgãos perispirituais é do primeiro. “O Perispírito não é um corpo de vaga neblina e sim organização viva a que se amoldam as células materiais”, diz o prefácio de Emmanuel em “Missionários da Luz”. De nossa parte vemos continuamente nas reuniões mediúnicas os Espíritos inferiores reclamando de fome, sede, dores. São reminiscências, mas na dimensão espiritual “reminiscência” é algo vivo, concreto, palpável, segundo eles mesmos, os comunicantes. Na esteira do pensamento de Allan Kardec, André Luiz reafirma que o perispírito se exibe desde a fase embrionária e adita que ele estrutura os órgãos físicos, pois atua no DNA dando-lhes as características biológicas. Ao sair do corpo pela desencarnação, dada a nossa íntima ligação com o corpo físico, manteríamos os mesmo aspectos, até nos libertarmos do limite das formas, caso dos Espíritos evoluídos. Irmão Jacob na obra “Voltei”, psicografado por Chico Xavier, relata passo a passo o processo de desencarnação, e que sentia dois corações batendo.
A despeito de tudo isso, meditando nas informações de Kardec, haveremos de concluir que deve existir um circuito de ligação da mente do Espírito com o cérebro físico, para lhe transmitir os comandos orgânicos tanto os voluntários quanto os involuntários, qual o sistema simpático e parassimpático. Ao nosso ver poderiam ser os neurônios perispirituais em ligação com os neurônios orgânicos que efetuariam as determinações da Alma sobre o corpo. A ideia de um corpo vaporoso sem órgãos fica incompleta. Cremos que as observações que você faz na pergunta se harmonizam com as teses acima expostas. É em síntese apertada o que poderíamos aditar ao que foi dito no programa que tratamos do tema. Para maiores esclarecimentos veja o tema em “Evolução em dois mundos”, de André Luiz.

O perispírito não morre. O corpo perispiritual é um envoltório do Espírito. Se por hipótese o perispírito morresse o que envolveria o Espírito? O Espírito algo que não se pode dizer o que é. Os Espíritos superiores nunca revelaram. Mas, ele nunca está sem um envoltório que lhe dá a individualidade no universo. Os limites do Espírito são controlados pela mente de forma automática. O mesmo ocorre conosco, temos mecanismos fisiológicos que nos dão a consciência das nossas dimensões físicas, ao limite de pele. Em O Livro dos Espíritos, questão n. 186, Allan Kardec pergunta se existem mundos onde os Espíritos não tenham corpo físico, somente o perispírito. E na resposta os Espíritos dizem que sim, e nesses mundos “esse envoltório se torna tão etéreo que para vós é como se não existisse. Esse o estado dos Espíritos puros.” Sobre o nascimento ou reencarnação na Terra André Luiz nos informa que no processo de miniaturização que reencarnante sofre para se amoldar ao novo corpo, ligando-se ao ventre materno desde a concepção, o perispírito se desintegra, retornando à natureza. Forma-se então novo perispírito, mas refletindo todos os arquivos mentais do Espírito. Para mais detalhes, veja o capítulo “Reencarnação” no livro Missionários da Luz, psicografia de Chico Xavier.

André Luiz aborda o tema “corpo mental” no capítulo 2 do livro “Evolução em dois mundos”. O que se depreende é que o perispírito é um corpo que seria mais sutil em sua região mais próxima do Espírito e mais denso na região mais próxima do corpo físico. E que a aglutinação de fluidos em torno do Espírito, fluidos esses tirados do planeta em que habita ou visita, se dá com base num elemento primário, que por falta de terminologia no vocabulário humano, foi denominado de “corpo mental”. Podemos dizer uma base fixa e outra que a sobrepõe mutável. Vemos André Luiz mencionar no livro “No Mundo Maior” que na prática, eles os Espíritos, não podem dizer onde termina corpo físico e inicia o perispírito, e onde termina perispírito e inicia o Espírito. Dizendo assim que somos trinos, enquanto no corpo físico, formando um unidade morfológica. Tais elucidações se harmonizam com as de Allan Kardec, que dera o nome de perispírito ao todo que reveste o Espírito. Na Revista Espírita de junho de 1858 Allan Kardec anota: “Quando o Espírito está encarnado, a substância do perispírito se acha mais ou menos ligada intimamente à matéria do corpo, mais ou menos aderente, se assim nos podemos exprimir.” Mostrando há variações de densidade do corpo espiritual e há maleabilidade perispiritual quando o Espírito está desligado do corpo físico.

Nossa memória fica armazenada no perispírito, como nos esclarece Emmanuel, no livro “Emmanuel” (FEB), psicografado por Chico Xavier, capítulo 24:

“O corpo espiritual não retém somente a prerrogativa de constituir a fonte da misteriosa força plástica da vida, a qual opera a oxidação orgânica; é também ele a sede das faculdades, dos sentimentos, da inteligência e, sobretudo o santuário da memória, em que o ser encontra os elementos comprobatórios da sua identidade, através de todas as mutações e transformações da matéria.”