Estar tentado não é estar obsidiado. Todos podemos sofrer uma influenciação espiritual, é comum, estar obsidiado significa que a pessoa está com a mente sob o domínio de outra mente, e isso não ocorreu com Jesus. Sobre o tema temos no livro “A gênese” de Allan Kardec, no cap. 15, item 52 e 53 a instrução dada por um Espírito:
“Jesus não foi arrebatado. Ele apenas quis fazer que os homens compreendessem que a humanidade se acha sujeita a falir e que deve man-ter-se sempre vigilante contra as más inspirações a que, pela sua natureza fraca, é impelida a ceder. A tentação de Jesus é, pois, uma figura e fora preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Como pretenderíeis que o Messias, o Verbo de Deus encarnado, tenha estado submetido, por algum tempo, por mais curto que fosse, às sugestões do demônio e que, como diz o Evangelho de Lucas, o demônio o houvesse deixado por algum tempo, o que levaria a supor que o Cristo continuou submetido ao poder daquela entidade maléfica? Não; compreendei melhor os ensinos que vos foram
dados. O Espírito do mal não teria nenhum poder sobre a essência do bem. Ninguém diz ter visto Jesus no cume da montanha, nem no pináculo do Templo. Sem dúvida, tal fato se teria espalhado por todos os povos. A tentação, portanto, não constituiu um ato material e físico. Quanto ao ato moral, admitiríeis que o Espírito das trevas pudesse dizer àquele que co-
nhecia sua própria origem e o seu poder: ‘Adora-me, que te darei todos os reinos da Terra?’ Então o demônio desconheceria aquele a quem fazia tais oferecimentos? Não é provável. Ora, se o conhecia, suas propostas eram uma insensatez, pois ele sabia perfeitamente que seria repelido por aquele que viera destruir o seu império sobre os homens.”