Perguntas e Respostas

Mediunidade e Estudo

Perguntas elaboradas pelos participantes do grupo Telegram @febtv_mediuns, referente à série apresentada por Jacobson Sant’ana Trovão “Estudando O Livro dos Médiuns”, canal da FEBtv no YouTube, e respondidas por uma equipe de estudiosos do tema.

Vedada a reprodução, finalidade meramente de estudo da mediunidade à luz do espiritismo.

Estar tentado não é estar obsidiado. Todos podemos sofrer uma influenciação espiritual, é comum, estar obsidiado significa que a pessoa está com a mente sob o domínio de outra mente, e isso não ocorreu com Jesus. Sobre o tema temos no livro “A gênese” de Allan Kardec, no cap. 15, item 52 e 53 a instrução dada por um Espírito:

“Jesus não foi arrebatado. Ele apenas quis fazer que os homens compreendessem que a humanidade se acha sujeita a falir e que deve man-ter-se sempre vigilante contra as más inspirações a que, pela sua natureza fraca, é impelida a ceder. A tentação de Jesus é, pois, uma figura e fora preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Como pretenderíeis que o Messias, o Verbo de Deus encarnado, tenha estado submetido, por algum tempo, por mais curto que fosse, às sugestões do demônio e que, como diz o Evangelho de Lucas, o demônio o houvesse deixado por algum tempo, o que levaria a supor que o Cristo continuou submetido ao poder daquela entidade maléfica? Não; compreendei melhor os ensinos que vos foram
dados. O Espírito do mal não teria nenhum poder sobre a essência do bem. Ninguém diz ter visto Jesus no cume da montanha, nem no pináculo do Templo. Sem dúvida, tal fato se teria espalhado por todos os povos. A tentação, portanto, não constituiu um ato material e físico. Quanto ao ato moral, admitiríeis que o Espírito das trevas pudesse dizer àquele que co-
nhecia sua própria origem e o seu poder: ‘Adora-me, que te darei todos os reinos da Terra?’ Então o demônio desconheceria aquele a quem fazia tais oferecimentos? Não é provável. Ora, se o conhecia, suas propostas eram uma insensatez, pois ele sabia perfeitamente que seria repelido por aquele que viera destruir o seu império sobre os homens.”

Infelizmente até hoje, pela falta de conhecimento, em função de interesses pessoais ou institucionais, preconceito e por falta de interesse, intenta-se, mas sem sucesso, afirmar que todo Espírita é charlatão, lida com o demônio, dentre outros sistemas. Felizmente, a liberdade religiosa que gozamos permite uma influente divulgação do Espiritismo, e tais sistemas preconceituosos tendem a desaparecer, para surgir o respeito a todas as doutrinas.

A palavra “matéria” tem no Espiritismo a mesma definição das ciências comuns, agregando ao conhecimento científico a origem da matéria como construtora do ambiente de manifestação do Espírito tanto na dimensão física quanto na dimensão espiritual que seria o chamado “Fluido Cósmico Universal” e a existência de estados da matéria ainda desconhecidos pelo homem, bem estudado
por Allan Kardec no livro “A Gênese”, que indicamos a leitura.
“Espaço” é definido na questão 35 e 36 de “O livro dos Espíritos” como o “infinito”. Em “A Gênese” Allan Kardec adentra um pouco mais no tema no capítulo VI, item 1 do qual extrai-se o seguinte:

“Espaço é uma dessas palavras que exprimem uma ideia primitiva e axiomática, evidente por si mesma, e a respeito dela as diversas definições que se possam dar nada mais fazem do que obscurecê-la. Todos sabemos o que é o espaço, e eu apenas quero firmar que ele é infinito, a fim de que os nossos estudos ulteriores não encontrem nenhuma barreira que se oponha às investigações do nosso olhar.”

Sugerimos a leitura completa no livro indicado, já que o tema demandaria delongadas considerações que este canal de comunicação não nos permite avançar.

Não se deixe levar pelo desânimo. Estude quando não estiver cansada. Imponha sua vontade firme, reaja, seja perseverante, domine-se, mantenha a mente alerta, você conseguirá com o tempo superar tais sensações. Poderíamos em tese cogitar de influências espirituais negativas, mas não pense assim, pense que quem determina o que você faz ou não faz é você mesma. Siga estudando.

Além de “O livro dos médiuns”, teremos como referências; “A Gênese”, “Nos domínios da mediunidade”, Mecanismos da mediunidade”, “Roteiro”, “Seara do médiuns”, “Na vida maior”, “Enigmas da Psicometria”, “Animismo e Espiritismo”, “Devassando o invisível”, dentre outros.

“Anti-goécia” pela definição proposta por alguns seria a prática de se neutralizar a “goécia” ou magia negra, se bem entendemos a pergunta, pois esse termo não consta dos postulados espíritas. No Espiritismo não desconhecemos o mal e suas consequências, mas temos em Jesus e na prática do bem os elementos de renovação da alma para o progresso e, dessa forma, progredindo o homem ele espontaneamente sairá das faixas que o mal possa lhe causar na Terra.

Meditar é a ação ou efeito de refletir profundamente sobre determinada coisa, pensar atentamente sobre algo, assunto, texto, ocorrências da vida, raciocinar para melhor entender os fatos, concentrar-se mentalmente em um evento e assim aplicar o conhecimento no cotidiano, aprimorando o modo de viver, renovando pensamentos e emoções. Em O livro dos médiuns temos um exemplo dessa definição, no item 220, questão n. 5: “É também para lhe dar tempo de meditar as instruções recebidas. Por essa meditação dos nossos ensinos é que reconhecemos os espíritas verdadeiramente sérios.” O Espírito Emmanuel sempre aconselha a meditação para aprimoramento da alma e desenvolvimento dos potenciais psíquicos. Abaixo anexamos um texto do livro Caminho, verdade e vida, capítulo 168, psicografado por Chico Xavier, que contém uma excelente explicação de como meditar. Esse o sentido da palavra meditação em nossas palestras.

Nas doutrinas orientais a meditação tem significado diverso, está relacionado, ao “esvaziamento” da mente, relaxamento do corpo, tranquilização das emoções, utilizada em estados de tensão emocional, para aliviar estresse ou induzir ao sono. Nesse sentido, existem inúmeras técnicas de meditação. No ocidente tais práticas meditativas já foram chamadas de “meditação transcendental”. Um cuidado que o médium deve ter ao se utilizar de técnicas de meditação é o de manter-se consciente, evitando desdobramento, o transe ou transformar o momento de reflexão em um momento místico. Um outro alerta é dado em O livro dos espíritos, questão 657, que sugerimos a leitura. Os benfeitores espirituais advertem: “Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida toda pessoal e inútil à Humanidade e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito.”

Nem sempre o leigo consegue definir o nome correto da doutrina organizada ou codificada por Allan Kardec. Ao dizer Kardecismo tem se entendimento de que se é adepto de Allan Kardec, o que não condiz com a realidade. Espiritismo foi a palavra criada por Allan Kardec para identificar a ciência nova. Ele mesmo denominava os adeptos da nova ciência de Espíritas. Allan Kardec nunca fez culto à própria pessoa. Espiritismo constitui-se num conjunto de conhecimentos contidos nos livros de Allan Kardec, as chamadas Obras Básicas: O livro dos Espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o Espiritismo, O céu e o inferno e A gênese. Esses cinco livros formam uma unidade. Então não existem três linhas de Espiritismo. Umbanda e Kimbanda são religiões próprias, diferentes do Espiritismo.