Perguntas e Respostas

Mediunidade e Estudo

Perguntas elaboradas pelos participantes do grupo Telegram @febtv_mediuns, referente à série apresentada por Jacobson Sant’ana Trovão “Estudando O Livro dos Médiuns”, canal da FEBtv no YouTube, e respondidas por uma equipe de estudiosos do tema.

Vedada a reprodução, finalidade meramente de estudo da mediunidade à luz do espiritismo.

Sobre o evento CONESMA, realizado pelar Federação Espírita do Maranhão, no dia 14/2/2021, quando tivemos a alegria de partilhar os estudos com o Prof. Dr. André Peixinho, Presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia, podemos afirmar que somos concordes integralmente com as colocações desse estimado amigo. Ao dizermos durante nossa explanação que “mediunidade é mediunidade, espiritualidade é espiritualidade. Mediunidade é faculdade”, buscávamos confirmar o que ele dissera momentos antes, ou seja que a mediunidade é um recurso a mais que a alma possui para se espiritualizar. A mediunidade é um sentido, neutro, nem bom nem mal. Será o que o médium dela fizer, podendo se elevar ou não.

Sua referência é bem oportuna. Se refere ao desenho de uma cepa colocada nos “Prolegômenos” de “O livro dos espíritos” por Allan Kardec, com a seguinte anotação:

“Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos.”

A mensagem é assinada por diversos Espíritos elevados. Não se sabe com certeza por qual médium o desenho tenha sido enviado do plano espiritual a Kardec, pois o Codificador não divulgava muito facilmente nomes. Mas, não se pode descartar nenhuma possibilidade.

Grato pelas palavras gentis. O acervo de livros sobre o tema mediunidade é vasto. Nem todos, porém são efetivamente espíritas, já que preconizam práticas conflitantes com as dissertações de Allan Kardec. O livro base para qualquer estudo de mediunidade é “O livro do médiuns”. No entanto, para a estruturação de um estudo sistematizado visando a formação de médiuns para a prática espírita da mediunidade, além dessa obra basilar, a Área da Mediunidade da FEB oferece o programa de estudos “Mediunidade: estudo e prática”, também chamado de abreviadamente de MEP, em dois volumes. São encontrados em livrarias nos Centros Espíritas. Nessa obra você terá um rol de livros sobre o assunto que poderá te direcionar, se esse programa de estudos não atender à sua necessidade. Esse é o estudo que tem sido aplicado em diversos Centros Espíritas no Brasil e no exterior. Em nossos estudos semanais pela FebTv temos apresentados livros variados que guardam concordância com o Espiritismo e nos abre os horizontes para um melhor entendimento de “O livro dos médiuns”, mas não tem o viés de desenvolvimento da mediunidade, já que para tanto não se poderia fazer por meio das redes sociais, somente presencialmente, no Centro Espírita e com equipe devidamente preparada.

A obra de Manoel P. de Miranda é realmente muito rica de conteúdos doutrinários e é sempre citada nas publicações da FEB, mormente nos documentos aprovados pelo CFN, a exemplo do livro “Orientação para a prática mediúnica no Centro Espírita” e no programa de estudos “Mediunidade: estudo e prática”, ambos destinados à estruturação da Área da Mediunidade nos Centros Espíritas e para a formação de médiuns, ao lado de outros autores, encarnados e desencarnados que guardam concordância com a Doutrina Espírita. A compilação de autores variados, todos embasados em Allan Kardec, visa atender a própria metodologia do Codificador, a chamada “Universalidade do Ensino dos Espíritos”, que ilustra o pensamento de autores diversos em unidade com os preceitos espíritas. Desse modo, o ensino espírita se universaliza demonstrando que fontes diversificadas e elevadas confirmam as mesmas revelações espirituais.

Cada dor merece conforto específico, segundo a necessidade e a possibilidade de entendimento do beneficiário. No caso apresentado, o conforto, o acolhimento, o apoio psicológico, a presença amiga, o passe, a água fluidificada, se a pessoa aceitar, a oração, a palavra de carinho, o evangelho de Jesus e o amor são os medicamentos da alma, até que a criança possa entender o que se passou com ela. Tentar explicar algo que ela não compreende poderá causar-lhe maior transtorno. Agora será momento de conforto e não de elucidações doutrinárias que a mente não tem condições psicológicas para compreender. Cada coisa a seu tempo.

Na verdade a resposta dos Espíritos superiores a Allan Kardec esclarece que os Espíritos não tem sexo como o entendemos no plano físico, e não ausência dos impulsos sexuais, veja:

“200. Têm sexos os Espíritos?
“Não como o entendeis, pois que os sexos dependem
da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos.”

Por informação dos Espíritos Superiores existem Espíritos inferiores ainda ligados às sensações fisiológicas, dependentes psicologicamente da utilização das funções sexuais, que embora desencarnados guardam os impulsos do uso degradante do sexo. Mantêm as feições que tinham quando encarnados, buscando aqueles que lhes possam saciar os desejos desequilibrados, com os quais se ligam obsessivamente. No entanto, chegará o tempo em que o Espírito compreenderá que os impulsos elevados do amor, da afinidade, da união de sentimentos formam as mais elevadas expressões de sexo, muito além das condições orgânicas impostas pelo corpo quando reencarnados. É o caso dos Espíritos Superiores dos quais não se pode ainda adentrar nos meandros da sexualidade que possuem.
Quanto a expressão “Deus-Pai” foi a forma que Jesus utilizou para promover a união dos povos e evoluir o pensamento de uma nação que historicamente mantinha guerra contra os povos vizinhos. À época, IAHWEH era o deus de uma nação, com a ideia de uma paternidade divina Jesus promovia a solidariedade entre os irmãos de humanidade. Encerrava a ideia de castas e pacificava os grupos rivais. Por que pai e não mãe? Na sabedoria de Jesus, seria necessário dar um passo de cada vez nas revelações superiores. A sociedade na qual Jesus renascera era patriarcal. Seria mais fácil absorver a ideia paternal do que maternal de Deus. Com o Espiritismo, na questão número 1 de “O livro dos Espíritos”, mais um passo é dado para a compreensão da Divindade que nos criou. Os Espíritos Superiores avançam para além da ideia de um deus homem, antropomórfica, para mostrar um Deus inteligência suprema, causa de todas as causas. Desaparece, portanto, a figura humana de Deus, para permanecer a ideia crítica, qual seja a nossa irmandade enquanto família universal. No Espiritismo Deus é pai, no sentido de origem de tudo e não de um homem que determina os destinos da humanidade, premiando uns e punindo outros. Regata-se assim, o princípio mais sublime das palavras de Jesus ao nominar Deus-Pai, criador, pois, embora a natureza de Deus permaneça desconhecida, do Cristo fica o ensino do amor e da união que devem permear nossas relações sociais.

Grato pela sua participação em nossos estudos. A mente é uma emanação do Espírito, não é o próprio Espírito. O que é realmente o Espírito, não se sabe. Os Espíritos superiores dizem ser como uma chama um centelha, mas a natureza em si não nos é revelada.